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Ao longo do meu percurso de pessoa-que-escreve-num-blog questionei-me muitas vezes para quem escrevia eu. Sei que não sou a única e tal facto parece-me lógico.

Quando comecei a escrever no meu primeiro blog, em Março de 2011, não escrevia para mim. De todo! Postava indirectas para o rapaz de quem gostava, alfinetadas para as miúdas estúpidas da escola e textos de apreciação para as minhas amigas. Escrevia para toda a gente, menos para a Mariana — nessa altura eu recusava-me a mergulhar fundo em mim própria. Esse blog durou cinco meses e mais ou menos a meio da sua existência comecei, devagarinho, a escrever alguns desabafos ligeiros. Foi assim que percebi que escrever em tom de desabafo era imensamente melhor do que escrever em qualquer outro tom.

Escrever é tipo embalsamar coisas não físicas e torná-las um bocadinho mais reais do que já são. É tão simples, por vezes, saindo de mim com tamanha facilidade e naturalidade, como se eu tivesse todo o jeito do mundo para o hobby. Mas não é sempre assim. Às vezes é totalmente o oposto. Como agora... E como nos últimos dias. Às vezes é tão difícil, tão complicado, e acabo por sentir que tantos anos de (disciplina) experiência não serviram para nada. Num mundo perfeito eu escreveria tanto como gostaria, sobre tudo o que gostaria. Mas num mundo perfeito eu também poderia comer todo o chocolate que quisesse.

 

Seria errado dizer que escrevo só para mim. Achei isso por muito tempo e agora vejo que estava errada. Escrevo para todos os que me querem ler, incluindo eu mesma. Se escrevesse só para mim, fá-lo-ia num caderno que guardaria no fundo da terceira gaveta da cómoda, longe da luz do dia e do olhar dos cuscos que não se interessam mesmo nada pelo que é escrito (mas que lêem). Por muito pouco humilde que possa parecer, não é incorrecto escrever assim, para quem quiser ler. O intuito de um blog é, na minha ótica, a partilha de todos os pormenores que achamos relevantes, ainda que não o sejam; uma janela da nossa casa para o resto do mundo, uma ponte para as restantes ilhas que são todos os que nos rodeiam. Acredito que seja por isso que escrever num blog (ainda) me faça tanto sentido, mesmo que eu já não seja uma adolescente com tempo de sobra e com a mania que tem muito para dizer.

 

Escrever. Apenas verbo, com tudo o que conjugá-lo implica.


12 comentários

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Beatriz Costa 16.03.2024

Acho que escrever aqui tem outro "sabor"..... é bom sentirmo-nos apoiados.... é bom nos mostrarem outras perspetivas... acabo sempre por voltar a este cantinho.... não parecendo, já andamos aqui há uns anitos
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Mariana 16.03.2024

Tem!
É verdade, andamos sim! O tempo passa…

Xi-coração para ti, Bia querida
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feldades 16.03.2024

Escrever, para mim, é terapêutico. Recomendo sempre.
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Mariana 17.03.2024

Compreendo perfeitamente.
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Elle 17.03.2024

Sou como tu, já achei que escrevia para mim, mas é como dizes: se o quisessemos fazer, seria num caderno perdido por uma gaveta da casa. A verdade é que eu não gosto de falar para uma parede Gosto sempre de "ouvir" o que os outros têm a dizer. E também é importante fazê-lo, às vezes advêm daí reflexões interessantes.
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Mariana 17.03.2024


Eu já gostei mais…

Sim, por norma sai sempre algo inteligente que até pode, ou não, mudar completamente a nossa perspectiva. E é tão giro que assim seja!

Beijinho, Elle.
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Aqui há coração 10.04.2024

Olá!
Penso que ao partilhamos com outras pessoas aquilo que nos vai dentro também nos aproxima
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Mariana 10.04.2024

Olá
Sem dúvida. Identificamo-nos e permitimos que outros se identifiquem connosco. E é tão bom, porque nos lembra que não estamos sozinhos.
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José da Xã 11.04.2024

Boa tarde,

A questão que entitula este postal é pertinente. Também houve alturas nesta minha caminhada pela escrita que me perguntei para que serve tudo isto.
Hoje com outra idade basta que uma pessoa leia e já fico contente.
Porque a pergunta verdadeira não será esta mas provavelmente a seguinte: porque escrevo? Que me leva a este desafio?
O resto não interessa nada! Devemos sempre viver com os nossos sentidos e sentimentos em alerta permanente!
Bom postal! Parabéns pelo destaque!
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Mariana 14.04.2024

Olá José!
Obrigada pelas palavras
Essa é, de facto, uma questão muito interessante. Se me debruçar sobre o assunto, acho que demoro muito mais a escrever sobre o porquê de o fazer, do que sobre para quem o faço. É definitivamente mais complexo, como os porquês geralmente são. E isso mostra que sim, é isso que mais importa!

Obrigada, novamente!
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s o s 11.04.2024

a seguir vou ao google buscar o site (que contem a resposta á sua pergunta) mas destinado a outro autor. Se já fosse amanha, repetiria aqui esse site. Mas tem a ver com a Augustina !
A narrativa de que a escrita torna a coisa mais real é até elementar, porém pouco referida. Assim, a outra narrativa é a de que escrever liberta, "já está".
Especialmente bem conseguida esta parte :
"uma ponte para as restantes ilhas que são todos os que nos rodeiam"
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Mariana 14.04.2024

A minha pergunta já tem resposta. Das coisas que mais me dão gosto escrever são estas dúvidas que ao fim de meia hora e um texto passam a certezas.
Obrigada!
Somos todos ilhas perdidas num mar que achamos que conhecemos. É bom saber construir pontes. É ótimo construi-las!

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